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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

QUE DIZEM OS POETAS ALGARVIOS E ANDALUZES DE AGORA? - 18

 
 

Por FERNANDO CABRITA

ÁREA AFECTADA – Fernando Esteves Pinto
ARTE MENOR - Vicente Vegazo

O mistério da poesia é um dos enigmas sobre ao quais seguramente mais se terá escrito. Um poema, uma simples quadra, um verso que seja, dão debate, motivam palestra, geram análise, fornecem tratados inteiros a tentar penetrar no âmago desse fenómeno. Literatos, estudiosos, críticos e simples curiosos dissecam o poema e o fenómeno poético, em busca do sentido último, do cerne, do núcleo oculto, do dom misterioso.
Como escreveu já Ramon Nieto num artigo que recordo da minha adolescência, se a literatura/poesia não serve para nada, não se compreende porque é que um livro provoca mais receio do que um maço de algodão ou um pôr do sol. Em contraponto, diria Jean Cocteau, aliás citado por um dos dois poetas a que hoje aqui aludimos: a poesia é imprescindível; e eu gostaria de saber para quê.
Os dois livros que agora nos ocupam, percorrem ambos esse caminho da poesia que se interroga a si mesma. Os poemas querem desvendar o mistério: o que é a poesia? Para que serve a poesia? Perguntas que surgem, de passo com a criação poética e a elaboração do texto, mas obviamente sem resposta definitiva. Cada dos autores adianta as suas ideias, as suas possíveis explicações; mas é claro que o mistério, a final, persiste e persistirá.
Fernando Esteves Pinto não precisa de apresentação. É poeta cuja obra vai para além da poesia, abarcando o romance e a novela; e é também editor. Neste seu livro, Área Afectada, há uma escrita cerebral que de página para página decorre à volta dessa questão, aliás anunciada como um propósito no poema de pág. 22: «Pensar a linguagem do poema./Despertar no corpo da língua/ um circuito cerebral.» No fundo, é essa a interrogação do autor, enquanto cria: «em que lugar do pensamento construir o poema?/ Em que silêncio está a escrita do silêncio?» Em alguns textos penso encontrar algo de Salette Tavares, que o autor todavia me confessou não havia lido; mas que transmite a mesma ideia no seu Lex Icon, velhinho de décadas e sempre actual. Onde Salette declarava: «Dêem-me palavras que eu descobrirei as coisas/ dêem-me coisas que eu descobrirei as palavras/ Entre as palavras e a coisa o intervalo é nenhum/ palavra ou coisa a eloquência pertence-lhes: à palavra porque diz a coisa/ à coisa porque diz a palavra», Esteves Pinto diz, com o mesmo poder poético e analítico, «o objecto dá à palavra o sentimento da língua. /Um rumor de água e de música que o corpo/ vai gravando na efémera lucidez. / O objecto é o estado sólido da fala» (…) – pág. 5.
É a mesma inquietação, apesar de vazada em forma de resposta. Mas são, claramente são, perguntas que ali sobrejazem: de onde vem a música das palavras feitas verso? Que poder próprio as move? Que relações existem entre o pensamento, a palavra, a luz, os objectos? Há um pensamento prévio à escrita, ou ela e ele são coevos, simultâneos, construindo-se enquanto se produzem? Cito o poema de pág. 53: «Improvisas uma forma de aceitação enquanto escreves.» Ou o de pág. 29: «escrevo como que penetro o ruído/ da luz trabalhando o pulso.»
E nesta pesquisa sobre o sentido e as relações entre pensamento e palavra, entre língua e objecto, surgem naturalmente os demais factores: o corpo, cantado com profundidade ao longo do livro, mas com extensa claridade nos poemas da pág. 20, 27, 31, 35, 43 e 56; e a memória, o silêncio e – acima de tudo – o tempo. O poema no tempo. «Inclinada no tempo, a noite devora o rosto» (pág. 32). Dessa destruição nascem ausências, perdas; e nasce e perde-se também o poema. «Um poema destrói-se de ausências» (pág. 27). Porque, diz Esteves Pinto, «o tempo passeia-se ao acaso entre colheitas de palavras» ( pág. 24).
Já Vicente Vegazo, escritor de Sanlúcar de Barrameda, Cadiz, sendo igualmente um escritor cerebral (a que não serão alheias as suas qualificações em Filologia Hispânica, o seu professorado em Língua e Literatura Castelhana e a sua actividade de congressista e publicista sobre a fim da República Espanhola), já este autor, dizia, interroga a poesia com descrédito: Que poema mejoró al hombre? (pág.13). Ou, de forma mais crua, un poema no sirve para cancelar el dolor (pág.26).
Daí o título da obra, Arte Menor, que apouca a criação poética. Trata-se, todavia, de um premeditado engano. Um logro conscientemente elaborado. Pôr em causa a poesia, declarar que o poeta vive engañado, que seria talvez de festejar si llegara el dia en el que escribir dejara de ser una celebracion (pág. 58), é uma tese que corre o intertexto, mas que se expõe… em poesia. E daí que naturalmente tenhamos que recordar Pessoa e declarar que Vicente Vegaza, como verdadeiro poeta, é um fingidor. O que o autor gaditano sabe. Ele mesmo inicia assim o seu poema VIII, a pág. 22: El poeta fingira hasta consigo mismo(…).
E embora o tom do livro se mantenha ao longo de toda a obra, levantando o estandarte da vida contra o estandarte da poesia (Da la impresion de que algunos poetas/ como los peces/ no saben que afuera está la vida(…) - pág.35; ou cuando has desertado de la vida/ cuando has preferido refugiarte/ en algun desierto o en el vuelo de las metáforas – pág 46), apesar desse aparente conflito, a leitura demonstra que a poesia é, afinal, a verdadeira razão deste livro. O seu mistério, a sua profunda inquietação, as interrogações que põe. Acima de tdoas esta: para que serve um poema? E nesse suposto confronto entre a vida e a arte, na verdade não há confronto. Uma não vive sem a outra. Daí que Vegaza cante também, com iniludível força poética e com uma concisão assinalável – marca, aliás, da sua poética –, os mendigos e os tristes a que a poesia é alheia, como esse de pág. 27. Vida e poesia. Poesia e vida.
E esse é talvez o grande mistério que se não desvenda.
Y a pesar de todo, nos consuela/ creer en la poesia,/ lo mismo que en una metafísica. /Y tenemos fe en ella/ anque nos sea imposible/ meter el dedo en su llaga/ y las pruebas desmientan/ su luz o la salvación. (pág.68).
Área Afectada é uma edição de Temas Originais, de 2010; e Arte Menor foi editada em 2007 pelos Libros de Bolsillo de la Deputacion de Cádiz.
 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Salão do Livro de Huelva - 2013


VII SALON DEL LIBRO IBEROAMERICANO DE HUELVA

OCIB Otoño Cultural Iberoamericano

Huelva 15, 16, 17 y 18 de Octubre de 2013


MARTES 15 DE OCTUBRE

17:30h. Calle Mora Claros frente a la Fundación Caja Rural del Sur

Actuación del grupo de danza y folclore de Colombia

18:30h. Fundación Caja Rural del Sur  c/ Mora Claros 4-6

Inauguración

19:00h.

Mesa redonda: El libro electrónico en Andalucía Juan José Téllez (Director del Centro Andaluz de las Letras) Javier López (Secretario de la Federación Andaluza de Libreros) y Vicente Luis Mora

20:00h.

Cata de libro, jamón y vino: Las cenizas de abril novela de Manuel Moya (España)

23:00h. Bar 1900 c/ Garcia Fernández nº 10

Recital poético de Mª Isabel Benet  (México) Poemas bordados sonoros de México y John Harold Davila García (Colombia)

 
MIÉRCOLES 16 DE OCTUBRE

10:00h. IES de Huelva

Encuentros con el Autor: Silvana Tobón (Colombia), John Harold Dávila García (Colombia), Margarida Vale de Gato (Portugal) Manuel Moya (España) y Mª Isabel Gómez Benet (México)

12:00h. Biblioteca Pública Provincial Avda. Martín Alonso Pinzón nº 16

Documental: Mujeres no contadas (49') de Ana Cristina Monroy Berneche (Colombia)

18:00h. Fundación Caja Rural del Sur  c/ Mora Claros 4-6

Documental Guatapurí, Río de Agua Fría, la leyenda (50') de Gabriel Turriago (Colombia) y Silvana Tobón (Colombia)

19:00h.

Mesa redonda Correntes d´Escritas y la literatura portuguesa actual con Manuela Ribeiro (Portugal), Afonso Cruz (Portugal) y  Margarida Vale de Gato (Portugal) Modera Manuel Moya (España)

20:00h.

Cata de libro, vino y jamón: El examen novela de Marcos Gualda Caballero (España)

23:00h. Bar 1900 c/ Garcia Fernández nº 10

Recital poético de Etnairis Ribera (Puerto Rico) Manuel Moya (España), Silvana Tobón (Colombia) y concierto de John Harold Dávila García (Colombia)

 
JUEVES 17 DE OCTUBRE

10:00h. IES de la Provincia

Encuentros con el Autor: Silvana Tobón, (Colombia) John Harold Dávila García (Colombia), Margarida Vale de Gato (Portugal) Manuel Moya (España) y Mª Isabel Gómez Benet (México)              

12:00h. Biblioteca Pública Provincial Avda. Martín Alonso Pinzón nº 16

Documental: Este pueblo necesita un muerto (48')  de Ana Cristina Monroy Berneche (Colombia)

18:00h. Biblioteca Pública Provincial Avda. Martín Alonso Pinzón nº 16

Documental: Desde diversas orillas (57')  de Ana Cristina Monroy Berneche (Colombia)

19:00h.

Presentación de la novela Mi vida con Plotach de Inma Luna (España)

21:00h Gran Teatro

Coplas del buen amor del Arcipreste de Hita

con Marisol Membrillo y Ricardo Luna y la música de Mabel Ruíz y Carlos González

Dirección de Manuel Canseco y Dramaturgia de Antonio Serrano

23:00h. Bar 1900 c/ Garcia Fernández nº 10

Recital poético de Margarida de Vale Gato (Portugal), Alejandro Luque (España), Inma Luna  (España) y concierto presentación del disco Coordenadas de Juan Luis Pineda y Alejandro Luque (España)

 
VIERNES 18 DE OCTUBRE

10:00h. Biblioteca Pública Provincial Avda. Martín Alonso Pinzón nº 16

Encuentros con el Autor: Inma Luna (España), Alejandro Luque (España) y Tiago Nené (Portugal)

12:00h. Biblioteca Pública Provincial Avda. Martín Alonso Pinzón nº 16

Documental: Por si se te olvidó mi letra (49')  de Ana Cristina Monroy Berneche (Colombia)

18:00h. Fundación Caja Rural del Sur c/ Mora Claros 4-6

Recital de Mª Isabel Benet (México) Renacimiento en el Súper

19:00h.

Presentación del libro de relatos Encontros improváveisde Fernando Pessanha (Portugal), presentan Tiago Nené y Fernando Esteves Pinto (Portugal)

20:00h.

Cata de libro, vino y jamón: A(mar)es poemas de Etnairis Ribera (Puerto Rico)

 
Exposiciones

Sala de exposiciones de la Caja Rural del Sur

Artistas colombianos: Diana Tabares Metrópolis estructuradas y Alberto Vélez Agua y oxígeno para el planeta

Los lugares de Pessoa Casa Museo Fernando Pessoa de Lisboa

 
Participantes:

PORTUGAL                     
 
Afonso Cruz                     
Fernando Pessanha                
Fernando Esteves Pinto       
Tiago Nené                             
Manuela Ribeiro                                           
Margarida Vale de Gato                                                                      
Marcelo Teixeira 
 
COLOMBIA
 
Alberto Vélez
Silvana Tobón 
Diana Eugenia Tabares Gil
Erica Lorena Arroyave Arenas
John Harold Davila Garcia
 
ESPAÑA
 
Alejandro Luque
Marcos Gualda Caballero
Inmaculada Luna
Juan Luis Pineda
Juan José Téllez Rubio
Manuel Moya
Vicente Luis Mora
Javier López
 
MÉXICO
 
Mª Isabel Benet
 
PUERTO RICO
 
Etnairis Rivera
                                                                                

                                                                                                                                                             
Colaboran:

Universidad Internacional de Andalucía

Universidad de Huelva

Consejería de Educación, Cultura y Deporte de la Junta de Andalucía

Ayuntamiento de Punta Umbría

Casa Museo Fernando Pessoa de Lisboa

Denominaciones de origen

 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sexo Entre Mentiras

Sobre Sexo Entre Mentiras de Fernando Esteves Pinto: comentarios de una lectora

Llevo días rumiando con la novela de Esteves Pinto, Sexo entre mentiras así que he decidido escribir estos humildes comentarios sobre la misma. Para mí esta novela es un tratado de teoría sobre la escritura. Nos presenta lo que yo llamaría, su ejercicio epistémico de la escritura: “[me refiero] al uso más desarrollado cognitivamente, en el que el autor, al escribir, transforma el conocimiento desde su experiencia personal y crea ideas.” (En psicología, Wells, 1987).

Ese ejercicio en esta novela es el intento de tratar de explicar a través del lenguaje, de la palabra, el cómo se construyen a su vez las mismas y cómo el lenguaje recrea: ¿“la realidad” o “la fantasía”? Nos evoca aquello que escribió (no recuerdo quién) que decía: “el actor miente para decir la verdad.” Refiriéndose al drama, a la actuación, y que en este caso de Esteves Pinto se puede aplicar al escritor o al poeta. Por eso, llega en un momento a inquietarnos esta narración. Porque nos da la sensación de estar perdidos en un mundo recreado a imagen y semejanza de un narrador que no vive sino, en “la palabra misma”. Está describiéndonos su verdad y tratando de hacer la palabra su certeza:

“Quienes dicen la verdad son personas que crean las mentiras del mundo en el que viven. Lo veo en mí: escribir es mentir dentro de una verdad”. (p. 18).

Es más un texto filosófico-psicológico que una novela que habla sobre el erotismo o sobre la soledad de la mujer, complementándola con lo que llamamos modernamente el mundo virtual. Ésta es la anécdota. Tema que tiene tela para cortar pero, del cual desgraciadamente soy una ignorante completa. Porque personalmente no he querido entrar nunca a esa esfera de la Internet, demasiado morbosa para mí, donde creo, que en un mundo donde ya de por sí, comunicarnos nos cuesta tanto y más, con alguien que está al otro lado de la pantalla. Ese alguien que nos puede estar mintiendo (¿dije mentira?) o nos puede estar desnudando la verdad más agria y dolorosa. Todavía prefiero la sana manera de mirarnos a los ojos del interlocutor y tratar de leer los signos de la bondad o los signos de la maldad humana. Por eso creo que a Esteves Pinto le costó tanto escribir esta novela como él mismo expresa en la “Nota introductoria”. Definitivamente, tuvo que ser un trabajo de recurrente análisis para no caer en la subjetividad más completa y mantener un poco de objetividad. Un poco, porque nunca lo somos del todo, no existimos sin nuestros prejuicios, estoy segura que el autor estaría de acuerdo conmigo. Conozco hace tres años a Esteves Pinto, conozco al amigo, al poeta y al editor independiente y créanme, es completamente inofensivo. Yo que siempre estoy tratando de sacar lo biográfico de todo lo que leo, porque soy una aprendiz de escritora completamente autobiográfica, no encontré mucho de Fernando en estas páginas. Lo que encontré, una vez más, fue a su cerebro acelerado, siempre quisquilloso y perspicaz para hacernos pensar con sus preguntas existenciales. La sinceridad del que narra llega a decirnos: “Son mentiras verdades de alguien que sufre por una verdad.” (p.18)

Abarca esta novela varios temas y todos ellos vistos bajo la lupa de este escritor-narrador a veces; airado, triste, erótico, bebido, sobrio, en búsqueda siempre… Y a través de unos personajes femeninos que gritan sus soledades y sus abandonos de formas distintas pero unidas todas por lo erótico y el debatir la definición del amor de pareja. Creo que este narrador en búsqueda no encontró verdades, sino, interrogantes. Eso sí, creo que hizo su exorcismo brillante en tratar de llevar “a la idea” a la página en blanco. Describir el mundo de alguien que intenta ser feliz a través del dolor de ser, que siempre duele doblemente. La crueldad, la violencia, la mentira, la verdad, la locura, la humildad, los soñadores, la venganza, la inocencia, la soledad y la infancia son parte de los temas expuestos.

Más, el tema del amor y la escritura como simbiosis, me parece el más original y el mejor expuesto. Lo comunicante como expresión amorosa unida al sufrimiento y la mentira:

“ […] El sufrimiento es requisito para el que ama. Si no estuvieras dispuesto a sufrir, no sabrías amar. […] El miedo a amar se debe a que el gran amor, al ser sincero y verdadero con aquél que nos ama, siempre nos destruye. Todo lo demás es una oración de sufrimiento que se arrodilla ante el corazón”. (p.14)

“ […] Estoy, ya lo sabes, en el sufrimiento, pero las palabras me sirven de defensa. Siempre he querido saber mucho sobre los demás, mucho más allá de lo humano, y ahora creo no saber nada de mí, nada en la terrible consciencia de haber vivido sus aflicciones. Quien me lee ahora no imagina el sufrimiento que fue preciso condensar en un tiempo de escritura para que todo volviera a tener una vida que escapase a la ficción de existir en mi pensamiento. Exijo silencio a mis palabras.” (p.15)

“ […] El amor es un libro en blanco del conocimiento donde el tiempo escribe los sentimientos del que ama. […] El amor dura mientras haya materia desconocida del otro. […]” (p.28)

“- La escritura es sufrimiento. Padecer la escritura para que el texto nazca.” (p.30)

“[…] ¿Qué queda, sino joder la escritura? Joderla con dolor. […]” (p.31)

“[…] ¿Por qué las historias tristes son tan hermosas? Pienso que porque hay mucho amor dentro de ellas. […]” (p.38)

[…] Siempre sentí esta manía de amar a través de la escritura. […] (p.42)

“Tengo miedo de que las palabras digan más de lo que siento, porque las palabras mienten y el ejercicio de la mentira siempre ha dado una buena escritura a mis sentimientos. […]” (p.43)
“ […] Si quieres ser feliz, entiende mi infelicidad como una creación. Y no valores al hombre que escribe por la mujer que ama. Pues el amor es el arte de la corrupción emocional y el hombre es el artista del amor corrompido.” (p.44)

“ […] Y la literatura siempre será una galería de mentiras conservada con mimo. Tan de verdad representadas. […]” (p.45)

“ […] Amor y literatura son parecidos en la mentira, y es triste no amar a alguien porque se tenga miedo de la mentira. […] (p.57)

“ […] La verdad es un lenguaje del silencio. Nunca temí al silencio, pues el silencio es mi forma de vivir. […]” (p.57)

“ […] Porque la escritura es más la pérdida que el beneficio de lo que pensaba escribir. Como el amor, es más la representación que el sentimiento.” (p.111)

“ […] Pero el amor sigue, no sé si te das cuenta, el amor sigue aunque no haya a quien amar. También la escritura sigue sin palabras visibles hasta que no encontremos un fin a lo que sentimos.” (p.113)

“ […] El pensamiento es una barrera contra el silencio. La escritura es la construcción de esa barrera. Escribir es estar atento al valor del pensamiento.” (p.115)

“ […] Se aprende sólo tras el daño. Tal vez después del sufrimiento la vida siga a tu disposición en una lección de amor a los demás. […]” (p.120)

“ […] La escritura quiere a quienes no temen la soledad.” (p.146)

“ […] El silencio está hecho con las palabras que nos duelen, y todo es una escritura apresurada cuando decimos algo a otro. […]” (p.150)

Como se puede apreciar en estas citas, sacadas con toda intención de su contexto, la novela nos devela un pensamiento profundo, el pensamiento de un indagador, el pensamiento de alguien que desea entender en última instancia a la mujer, entre otras cosas. Bueno, y porque soy mujer, creo que esta tarea la lleva a buen fin, tratando de describir lo erótico en nosotras y en dos citas de este libro me sentí identificada. No porque sea la visión que tengo de mí misma sino, por la particularidad de ese intento masculino de entender lo femenino. ¿Alguna vez, nosotros, los hombres y las mujeres, podremos entendernos desde nuestros lenguajes particulares, desde la palabra misma, desde esa magia que nos acerca y nos distancia como género? Sinceramente, a esta altura de mi vida, no me importa y como dice este escritor-narrador: “ […] Estoy en una edad en que la verdad ya no precisa esconderse. No sé mentir. […] (p. 151).” Y aquí los dejo con estas dos citas, sabuesas y deseantes…:

“ […] Es triste tener que llegar a este estado y por eso pienso que ella escribe mejor cuando las palabras le salen del cuerpo casi deshaciéndose en un dolor demoníaco, una fiebre loca que se encuentra en ciertos poemas femeninos que buscan en el infierno de la inspiración la verdad que se oculta en una vida tan triste.” (p.123)

“ […] Dios mío, las mujeres que escriben subliman tanto el amor con sus versos, que es una emoción tan jodida como tener a Florbela Espanca desnudándose frente a uno y en vez del cuerpo desnudo como un sol caliente en mi sexo, veo una boca vaginal declamando tristes mentiras que el amor me hace ver.” (p.124)

Los exhorto a leer esta novela con el lente de la inteligencia, más allá de la anécdota y de nuestros minúsculos egoísmos, con el corazón en los ojos, para que puedan alcanzar a sentir lo: “que el amor me hace ver.”

Maribel Sánchez-Pagán
Tampa, Florida
16 de Noviembre de 2009.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016


Cabe aos intelectuais (poetas, romancistas, historiadores, antropólogos, filósofos, sociólogos, etc) acrescentar dignidade histórica a estes tempos de loucura e de tragédia humanitária. Os livros, carregados de ficção e poesia, esperança e verdade, escritos numa língua universal, servem também para punir a estupidez humana. Neste mundo de sofrimento e de miséria, se dermos livros a um iletrado e materiais de construção e ferramentas a um intelectual, o iletrado construirá um refúgio. Esta é a grande verdade.
E se um dia deixasse de haver países e só houvesse campos de desobediência à vida? Campos de transição, controlo e registo de acontecimentos humanos. Fronteiras civilizacionais. Viveiros humanos. Contudo temos de ser bastante cautelosos nas nossas previsões. Saberíamos nós sobreviver com este cenário? Estaríamos de facto preparados para esta loucura? A vida perante o medo e o desconhecido é apenas um passo para outro mundo. A realidade esvaziando o ser humano e dando-lhe aptidão para se tornar um espírito maníaco.

Fernando Esteves Pinto


Apresentação do livro “Fronteiras humanas – (O drama dos refugiados)”
Dia 25 de novembro de 2016, sexta-feira, às 18h00, entrada livre.

A Biblioteca Municipal Vicente Campinas convida-o (a) a assistir à apresentação do livro
Fronteiras humanas – (O drama dos refugiados)”
Trata-se de uma antologia que conta com o contributo de vários autores, cada um no seu estilo e no seu género, que converge sobre um tema atual, preocupante e que necessita toda a nossa solidariedade, o drama dos refugiados.
Sob a coordenação de Fernando Esteves Pinto o livro conta com a participação de Adília César, Amadeu Baptista, Fernando Martins, Fernando Pessanha, Luís Ene, Miguel Godinho, Miguel Real, Pedro Jubilot, Reinaldo Barros e Vitor Gil Cardeira.









sexta-feira, 26 de julho de 2013

leituras

 



Dois autores:

 

Fernando Esteves Pinto (FEP), nascido em 1961, natural de Cascais e residente no Algarve (Olhão) há várias décadas, autor sobejamente conhecido e integrado no grupo da nova geração de talentos nacionais (José Luís Peixoto, Walter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares e José Carlos Barros, etc…) com várias obras publicadas e premiadas na área da poesia, romance e ensaio. Também Editor (revista de literatura Sulscrito e 4aguas).

 

Fernando Pessanha (FP) nascido em 1980, natural de Vila Real de Santo António, músico, compositor e historiador (“A cidade Islâmica de Faro”edições Mandil 2013), membro da CEPHA; sendo “Encontros Improváveis” a sua primeira obra de ficção.

 

Com uns representativos 20 anos de diferença na idade, estão, no entanto, os dois autores, irmanados por“improváveis” afinidades e cumplicidades geradas no quadro da movida cultural do Portugal democrático e Europeu contemporâneo, sobretudo a partir da mudança de paradigma que desde os anos 80 veio anunciar uma sociedade pós-industrial e de informação assente no sector terciário dos serviços e de classe média generalizada. Sociedade mais a fim de estabelecer laços e cumplicidades intergeracionais, culturais, raciais etc… do que os tradicionais blocos classicistas assentes em posturas de cariz ideológico e sectário, actualmente tidos como redutores e castrativos, produtos ultrapassados da lógica modernista das sociedades industrializadas e tecnocráticas anteriores à nova sociedade de informação.

 

Nascidos e criados em famílias oriundas do mundo estratificado do trabalho com poucos ou nenhuns recursos literários (casa sem livros), obrigados a assegurar desde cedo a sua autonomia e subsistência, entram no mundo da criação resgatando o tempo às rotinas da vida profissional, criando nas horas escassas, nos intervalos da labuta. (Património Bukowski de FEP; Os Machados, A Livreira e o Escritorde FP).

 

A pressão de uma situação, a todos os títulos periférica e suburbana, resultante dessa condição socioeconómica e cultural vai-se reflectir no enfoque social da sua produção marcada pelo desencanto, pelo morbos de uma redução existencial gerada numa ausência de futuro ou ideal, condição assaz comum nas recentes gerações das sociedades ocidentais em capitalismo terminal (Saga in FEP e A Livreira e o Escritor in FP). É neste clima que ambos os autores se movem numa estratégia de distanciamento pela ironia e de exploração mórbida das relações sociais marcadas pelo abandono dos sujeitos ao solipsismo narcísico e autista de um ambiente em constante mutação. Impossibilitados de estabelecer afectos estáveis e desejáveis, caem num universo de incomunicabilidade, inclusive consigo próprios (culto do silêncio e do vazio), gerador duma sensação de sortilégio e acaso marcados pelo absurdo e equívoco nos encontros/desencontros sempre improváveis, algo inúteis e desviantes da amalgama urbana da vida acelerada da competição generalizada (Observação do Pensamento,Saga, in FEP; e todo o livro de FP). Traços de carácter que se foram instalando na modernidade, com autores como Kafka, Poe, Pessoa, passando por Joyce, Becket, Sartre, Camus, Vergílio Ferreira, entre muitos outros, onde é patente a progressiva perda dos referentes que durante séculos apoiaram a narrativa literária.

 

Deus, o Homem, a comunidade implodiram sob a pressão do progresso tecnológico isolando o sujeito numa orfandade ôntica, dir-se-ia amnésica, afundando-o num niilismo sem recurso. O expressionismo brutalista e surdo deste modo existencial parece ser a única forma de comunicação pessoal e interpessoal (Saga, Coração da Cidadein FEP; A Psicóloga, O Acidente, in FP). O grito (lembrando o quadro de Munch e o não menos emblemático poema o UIVO de Alan Guinsberg), único esgar audível num universo nocturno povoado de fantasmas/zombies que circulam penosamente saindo e entrando na vida dos afectos como assombrações, num sonâmbulo microcosmos tão vivido quanto sonhado. O romance negro manifesto no goticismo de um Poe trespassa o clima de alguns contos de Pessanha (O Acidente), que surrealizando kafkaniamente (A Psicóloga), ora lançando-nos na teia dos equívocos Camusianos (A Madrasta; Os Machados) ou, na vertigem do sortilégio Sartiano (A Prima) vai-nos envolvendo no clima de uma psicologia existencial, especialidade fenomenológica comum à densa prosa de auto interpretação de Fernando Esteves Pinto, como em (Observação do Pensamento), acentuando a afinidade de ambos os escritores a uma abordagem de teor existencial.

 

É também recorrente a presença nas páginas das duas obras da única e fatal âncora do sujeito em desagregação: O Corpo Erotizado (A Madrasta, A Prima, Os Machados, de FP; Bukowski e Lydia Vance, Saga, Coração da Cidade de FEP). Centro vulcânico da compulsão sexual, o corpo, que exacerba e requisita em desespero salvífico, o eu concreto e coisificado, centro sensitivo, poço escuro da volúpia emocional e presencial do sujeito.

 

Dois autores cuja obra difere no estilo, recursos narrativos, maturidade e formação assinalando uma variação geracional do “estado de consciência” e de sociabilidade face à condição dominante da época, que teima em perdurar nesta espécie fim de tudo que habitamos. Idade terminal pronunciadora de enormes catástrofes, arrasta na sua queda os valores e as ideias, alicerces de qualquer sociedade humanista rumo a uma repelente trans-humanidade. Pesadelo que promove um gélido e idiota ser protésico: o andróide humanizado, o herdeiro da terra e mentor da saga iluminista que oferece a humanidade de barato, em sacrifício ao Deus Progresso, Pai da famigerada Modernidade e da sua colossal impostura.

 

É neste contexto que, penso, devem ser lidos estes dois livros: como núcleos de resistência humanista. Uma resposta de bem-humorada e fina ironia (Terapia dos Livros in FEP; e todos os contos de Encontros Improváveis de FP),dando-nos sinal positivo da subsistência e sobrevivência do sujeito soberano e imprevisível, capaz de alterar a actual condição e desafiar na sua anónima e épica luta as forças devastadoras que incautamente criou. Oxalá o consiga, no entanto, só a arte e a criação é capaz de proteger a individualidade e criar o distanciamento lúcido. Delas depende a compreensão necessária ao sentido de existência do Humano Sentidoque nestes dois livros é superiormente questionado e equacionado à luz de uma profunda e contemporânea visão.


José Bivar
Bela Mandil, 9 de Julho de 2013.

 

 


terça-feira, 26 de abril de 2011

Poesia em Ceuta


La Fundación Ceuta Crisol de Culturas 2015 ha organizado para el próximo 6 de mayo el I Encuentro Poético Internacional «Crisol de Culturas», que reunirá en la ciudad a algunos de los mejores poetas contemporáneos de España, Portugal y Marruecos. En total doce escritores, siete españoles, tres portugueses y dos marroquíes, que pondrán en común sus visiones en un acto que se celebrará a partir de las 20.00 horas en el Salón de Actos del Palacio de la Asamblea.

La poesía de los tres países se dará la mano en este evento con el que la Fundación pretende acercar la cultura de España, Portugal y Marruecos. En el encuentro participarán los españoles Jesús Hilario Tundidor, Juana Castro Muñoz, Dolors Alberola, Domingo F. Faílde, Nuria Martínez Vernís, Carlos Guerrero y María Jesús Fuentes, los portugueses Fernando Esteves Pinto, Tiago Nené y Maria Do Sameiro Barroso y los marroquíes Khalid Raissouni y Mezouar El Idrissi, que leerán algunos de sus poemas.

La velada estará amenizada, además, por el pianista Ángel Hortas y la soprano Inmaculada Almeda. Ángel Hortas (Jerez de la Frontera, Cádiz, 1967) es profesor numerario y jefe de estudios del Conservatorio Joaquín Turina de Sanlúcar de Barrameda. Por su parte, Inmaculada Almeda (Puente Genil, Córdoba), licenciada en Canto con matrícula de honor y Premio Fin de Carrera del Conservatorio Superior de Córdoba, se ha movido en diferentes registros, desde óperas de Verdi o Mozart, a libretos de Rossini, pasando por la zarzuela. Jesús Hilario Tundidor (Zamora, 1935) consiguió en 1962 el premio Adonais por Junto a mi silencio. Después de este trabajo le siguieron otros.Dolors Alberola (Sueca, Valencia, 1952), cuenta con un buen número de obras premiadas, entre las que destacan Cementerio de Nadas (Carmen Conde, 1998), Historias de snack bar (2000). Ha sido traducida a varios idiomas entre ellos al francés, italiano, ruso y serbio.
Juana Castro Muñoz (Villanueva de Córdoba, 1945) es poeta, articulista y crítica literaria. Este año acaba de recibir el Premio de la Crítica de poesía por sus Cartas de enero. Medalla de Oro de Andalucía en 2007, también ha obtenido los premios Carmen de Burgos y Meridiana.
Nuria Martínez Vernís (Barcelona, 1976) obtuvo los premios Amadeu Oller y el Memorial Anna Dodas con su primer libro de poemas, El acróbata tampoco saldrá ileso (2000).Carlos Guerrero (Zamora, 1943) ha obtenido diversas distinciones como el Premio Martín Carpena de relatos (2001).
Domingo F. Faílde (Linares, Jaén, 1948), ha obtenido, entre otros, los premios Juan Alcaide (1987), Ciudad de Algeciras (1991), Miguel Hernández (1993), Antonio González de Lama (1994), Cálamo (2003) y Arenal de Sevilla (2004).María Jesús Fuentes, malagueña de nacimiento y profesora del IES Siete Colinas, obtuvo el premio Ciudad de Coria de relatos con El maleficio de los Bogavante.Fernando Esteves Pinto (Cascais, 1961) Prémio de revelação de poesia Inasset - Centro Nacional de Cultura.
Tiago Miguel Serrano Pereira Nené, más conocido como Tiago Nené (Tavira, 1982), debutó en el mundo de la poesía en 2007 con el aplaudido Versos Nus.
Maria do Sameiro Barroso (Braga, 1951), licenciada en Filología Alemana y en Medicina y Cirugía, ha ganado el Premio Palabra Ibérica.
Khalid Raissouni (Casablanca, 1965), poeta, traductor y colaborador habitual de prestigiosas publicaciones del mundo cultural árabe como Al Quds o Nizwa. Mezouar El Idrissi (Tetuán, 1963) es poeta, crítico y traductor. Doctor en Literatura Árabe, miembro de la Unión de los Escritores de Marruecos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DE LA SAUDADE A LA MAGUA.



Antología de relatos luso-canaria

A. M. Pires Cabral, António Manuel Venda, Maria do Rosário Pedreira, Fernando Esteves Pinto, Filomena Marona Beja, Gonçalo M. Tavares, José Carlos Barros, Lída Jorge, Miguel Real, Maria Antonieta Preto, Paulo Bandeira Faria, Paulo Kellerman, Rui Costa, José Rivero Vivas, Eduvigis Hernández Cabrera, Anelio Rodríguez Concepción, José Manuel Hernández, Gabriel Cruz, Víctor Ramírez, Roberto Cabrera, Quintín Alonso Méndez, Javier Hernández Velázquez, José Manuel Brito, Eduardo Delgado Montelongo, Alicia Llarena, Agustín Díaz Pacheco.

Coordenação: Agustín Díaz Pacheco e Fernando Esteves Pinto

Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Colecção Onda Curta - 4águas

 


Fernando Pessanha lança novo trabalho intitulado

“Hotel Anaidaug”

    

"O Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António recebe, no próximo dia 10 de Janeiro, pelas 18:00, a inauguração da exposição de ilustrações “Hotel Anaidaug/Encontros Improváveis”, de Artur Filipe, e a apresentação do livro “Hotel Anaidaug”, de Fernando Pessanha.
A exposição, que ficará patente ao público até dia 31 de Janeiro, consiste no conjunto de ilustrações que o artista produziu para as obras de ficção de Fernando Pessanha. De acordo com o escritor, o novo livro, “Hotel Anaidaug”, consiste num «breve enredo inspirado na história do mais antigo hotel do Algarve, porém, uma história alternativa, já que tem lugar numa realidade paralela». A obra, publicada pela editora 4Águas, faz parte da colecção “Onda Curta” e já tem várias apresentações marcadas em Portugal e em Espanha. A apresentação no Arquivo Histórico Municipal de VRSA está a cargo de Luís Romão e contará com a presença do editor da 4Águas, Fernando Esteves Pinto".