terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Novidade 4águas



Contracapa:

«Robert Bréchon recebeu com entusiasmo os primeiros textos ficcionais de António Ramos Rosa. São textos em que a poesia nunca deixa de estar presente mas que apontam para outros esforços e rumos de escrita, sempre sob o primado da imaginação e da inquirição do real.»

José Carlos de Vasconcelos, JL — Jornal de Letras, Artes e Ideias


«Frágil, sim, sou frágil, sempre fui extremamente frágil. E sempre pensei que essa fragilidade era uma característica particular que me tornava único e diferente de todos os homens. Era um ser anómalo, pensava, e daí o meu sentimento de inferioridade em relação aos outros, que não o eram, uma vez que encarnavam a norma que eu nunca conseguiria instituir em mim. Só muito tarde, descobri que a anomalia era a norma inerente à condição de todos os homens, sujeitos à contingência, à adversidade, à incerteza radical e à finitude irremediável.»

António Ramos Rosa

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Palavra

Entrevista a Adão Contreiras. Vídeo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Retrato do corpo

A maneira como leio as tuas palavras. O que não está escrito e o que pensas escrever de forma oculta. Imaginei que não seria fácil expor assim a vida. Por muito que tenhamos para contar, uma grande parte exige que sejamos contidos. Como se as palavras te pedissem respeito pelo que vais escrever. A infelicidade é uma rua estranha, e mesmo que a tenhas percorrido de olhos fechados, inúmeras vezes, nunca sabes onde estás nem para onde vais. Entras e julgas ter saído. Permaneces e julgas estar ausente.

Há também a violência física e psicológica. Nem todas as palavras têm estrutura para contar a tua história. Ficas de fora, evidentemente. Talvez as feridas reclamem novo tratamento e as palavras que voltares a escrever justifiquem outra versão do enredo.

E o sexo, coisa íntima, arma que carrega a responsabilidade de acertar sempre em cheio, perfeito, desejo elevado à condição do prazer. Tinhas dito: sexo com qualidade. Não estará a qualidade do sexo na acção consciente do acto amoroso? Palavra antiga, como se o amor fosse uma regra e não um elemento que se destina aos grandes relacionamentos, intempestivos e possantes. Subversivos e magoados.

A qualidade está no coração, esse gatilho que faz disparar o corpo enquanto obra de arte dedicada ao prazer. A qualidade do sexo está na arte do corpo. Não um corpo qualquer. Mas um corpo capaz de pensar o seu próprio acto. Um corpo sentimento que invade o outro na sua profundidade.

A impressão que toda esta história me fez sentir. Uma personagem tratada como uma puta. Materialista e fútil, quase mecânica e insensível. Uma actriz que se estuda ao espelho para mais um encontro. Uma jovem mulher que se perde em complicados jogos sexuais, porque estar só é para ela uma imagem do deserto reflectida nas suas lentes de contacto. Estar só é um tempo demasiado insignificante, e o corpo pede-lhe homens na paisagem. Também há o lado humano.

Uma mulher minimalista. Cada frase que dizes faz lembrar cartazes luminosos onde as palavras disparam a sua luz para nos revelar a obscuridade implícita no teu pensamento. Linguagem económica. Quase esqueleto. Se deres mais carne às palavras, agradeço. Se me deres sangue, veias, emoções, a pessoa que és arrasará em todos os sentidos. Sê um pouco mais humana e não tão fragmentária.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Música de Cama



18 de Novembro (quinta-feira) | Biblioteca Municipal de Silves - 21.00h

SARAU INSTÁVEL [nova rubrica mensal]
(tertúlia à volta de autores, temas e outros vícios…)

Tema: “MÚSICA DE CAMA”

Os múltiplos e (in)sondáveis prazeres, tentações,
encantamentos, efabulações, “desvarios”
e provocações da literatura erótica…
Com convidados muito especiais: na dança do
ventre, música e performance ao vivo…

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Biblioteca António Ramos Rosa - Faro



Apresentação do livro “Simbiose Telúrica de Fragmentos do Ser: Reflexos e Reflexões Poéticas”, de Manuel Madeira
Apresentação:Varela Pires
Dia 22 às 18h

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2010



Fernando Cabrita vence Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2010 com o original "Ode à Liberdade e Outros Poemas".

O prémio resulta de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e o Sulscrito – Círculo Literário do Algarve, em parceira com a Câmara de Punta Umbría (Espanha).
O valor do prémio é de 2500 euros e a obra vencedora é publicada na colecção Palavra Ibérica, em edição bilingue.

Um júri constituído por José Carlos Vilhena Mesquita (em representação da Associação
dos Jornalistas e Escritores do Algarve), João Carlos Firmino Andrade Carvalho (em representação da Universidade do Algarve) e Rogério Silva (em representação da editora Gente Singular), atribuiu o Prémio ao original «Ode à Liberdade e Outros Poemas», de Fernando Cabrita, de entre um total de 89 obras a concurso.

Além de Fernando Cabrita, o júri decidiu atribuir duas menções honrosas aos originais "Um Coração Simples", de Daniel Gonçalves, e "Sonetos de Pasmo, Esperança e Solidão", de Joaquim da Conceição Barão Rato.

Fernando Cabrita nasceu em Olhão em 1954. A sua primeira obra “Os Amantes em Silêncio”, foi editada em 1980. “O Livro da Casa”, publicado em 2008 pela editora Gente Singular,da qual é um dos editores, valeu-lhe o Prémio Nacional de Poesia Mário Viegas. Entre os outros prémios que recebeu ao longo da sua carreira estão o Prémio Sílex (1980), Prémio Cidade de Olhão (1987) e Prémio Nacional de Poesia João de Deus (1997). Colaborou também com diversos jornais e revistas.

Na edição anterior do Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica, o vencedor tinha sido Maria do Sameiro Barroso, com “Uma Ânfora no Horizonte”, enquanto que em 2008 o vencedor foi Amadeu Baptista, com o livro “Sobre as Imagens”.

domingo, 10 de outubro de 2010

Revista Piolho nº2



Colaboradores: Melusine de Matos, Sílvia C. Silva, Renato Filipe Cardoso, manuel a. domingos, Fernando Esteves Pinto, Zarelleci, Rui Costa, Ivar Corceiro, Ricardo Álvaro, BiXinho, Raul Simões Pinto, Gilberto de Lascariz, Rui Azevedo Ribeiro, Meireles de Pinho (ilustrações), Luís Serra, Miguel Sá Marques, Sérgio Almeida, Humberto Rocha, A. Dasilva O. e Théodore Fraenckel.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Livro

Filme das apresentações do livro "Amo Agora" de Casimiro de Brito e Marina Cedro em Lisboa.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

Apresentação Dupla





Dia 15 Setembro, Lisboa, apresentação do livro Amo Agora.
Autores: Casimiro de Brito e Marina Cedro.
Apresentação: Maria João Cantinho.

Locais: Casa Fernando Pessoa (18h)
(Rua Coelho da Rocha, nº 16)

Fábrica do Braço de Prata (22h)
(Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº 1)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Saudade



Revista de literatura Saudade. Lista de autores Aqui

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

À "conversa" com Rui Dias Simão

1 – O surrealismo dá-te muito trabalho?

R: Sobretudo à segunda-feira (sorriso)... A escrita é, em mim, quando
acontece, uma terapia lunissolar e estruturante; por isso, uma atitude
de trabalho inicialmente se não vislumbra e evoca.

2 – A desestruturação mental é uma vantagem para um poeta se sentir confortável num ambiente surreal?

R: Para já, antes pelo contrário... em boa hora, cada anzol, cada peixe; em suma, é preciso estar muito estruturado para saber finalmente desestruturar.

3 – Imagina que dividimos uma garrafa em três partes (o fundo da garrafa, o corpo da garrafa e o gargalo), as quais representam respectivamente três fases do dia (a manhã, a tarde e a noite). Qual é a fase que te influência mais no processo criativo?

R: Debaixo da Lua, sem (100) garrafas...

4 – Fala-me dos teus Animais da Cabeça.

R: É um livro que nasce de uns desenhos que fiz por volta do ano 2000, os quais estiveram longamente pousados sobre um sofá lá de casa, até que.

5 – O desenho e a pintura são o outro lado dos teus poemas. Correspondem à clarificação mental do teu imaginário poético. O que vês quando escreves poesia?

R: A mulher, a tal, nua, dentro dos translúcidos espelhos.

6 – Tens consciência de que a tua poesia marca uma atitude, uma linguagem, que é no essencial a tua própria imagem e comportamento perante a vida e os outros?

R: Tenho. Afinal, talvez não ...

7 – Que realidade entra nos teus poemas?

R: Neste livro ( Os Animais da Cabeça), uma pseudo-realidade quase
fora de si mesma.

8 – Há um diálogo implícito nos teus poemas. Que diálogo é esse e com quem?

R: Só pode ser com o eventual leitor e a literal surdez do mundo.

9 – O teu último livro “Os Animais da Cabeça” é, quanto a mim, um breve tratado psico-filosófico sobre o género humano. É na desconfiguração do quotidiano que investes a tua racionalidade?

R: Parece utópico, mas existe de quando em vez na minha escrita uma
certa irracionalidade a investir no quotidiano.

10 – Em quase todos os teus poemas verifica-se uma linha bem definida de transição entre o sentimento pessimista da vida e o sentimento cómico, risível da vida. Como te defines perante a realidade?

R: Na totalidade dos contrários...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

abreviaturas

O processo Casa Pia é um orgasmo prolongado.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Novidade PopSul



Dia 30 de Julho pelas 21h o autor estará na Feira do Livro de Tavira
Pavilhão Álvaro de Campos

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Polishop



Dia 22 Julho pelas 18h
Biblioteca Municipal de Olhão
Apresentação do livro Polishop (Palavra Ibérica)
Autor: Tiago Nené
Apresenta: Maria Luisa Francisco

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Biblioteca Municipal de Olhão



15 de Julho, 18h
Apresentação do livro Área Afectada
Autor: Fernando Esteves Pinto
Apresentação: Miguel Godinho
Leituras de poemas: Ana Manjua

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sulscrito 3



Antologia da Indiferença

Pior que uma cidade indiferente à acção criativa dos seus poetas e artistas, é estes sentirem-se subtraídos dos seus direitos no espaço de intervenção da sua própria cidade. Não se trata aqui de traçar um círculo de combate onde a consciência se posiciona em estratégias de defesa ou ataque, munidos das suas armas criativas, que, a verificar-se, apenas apontariam na direcção da arte como alvo (...)

domingo, 20 de junho de 2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Poema Plural - 4

Vídeo de Adão Contreiras. Aqui

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Poema Plural - 3

Vídeo de Adão Contreiras.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Poema Plural - 2

Vídeo de Adão Contreiras.

domingo, 6 de junho de 2010

Poema Plural - 1

Vídeo de Adão Contreiras. Aqui

sábado, 29 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Bela Mandil

Filo-Café de Bela Mandil. Fotos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Filme Área Afectada

O filme de Adão Contreiras - TV Gorjões. Aqui

domingo, 16 de maio de 2010

Edições PopSul



21 de maio (Sexta) às 19 horas:
Apresentação do Livro de poesia AvRYl de Dinis H. G. Nunes.
Conversa com o autor por Fernando Esteves Pinto.
Leitura de poemas por Inês Ramos.
Local: LISBOA – Livraria Ler Devagar LX Factory

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Área Afectada



Dia 15 de Maio no Auditório do Campo Grande, Lisboa, pelas 19h

Apresentação: Rui Almeida

Leitura de poemas: Inês Ramos

segunda-feira, 26 de abril de 2010

EDITA 2010



Consultar programa AQUI

quarta-feira, 7 de abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Livro ambiente

Filme de José Bivar na Feira do Livro de Faro 2009

quinta-feira, 18 de março de 2010

ArteSéries

Filocafé Bela Mandil/Gorjões. O filme Aqui

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De la saudade a la magua



Entrevista com Agustín Díaz Pacheco. AQUI

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bela Mandil/Gorjões



Dia 19 de Fevereiro: Bela Mandil - A Pátria na Horta
Dia 20 de Fevereiro: Gorjões - Natureza Morta

Org. Mandrágora e AAPAA

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Desabafo dum poeta amigo

Entre todos os homens, os poetas são os primeiros a saber quando a musa lhes põe os cornos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

POPSUL

O filme das apresentações por Adão Contreiras.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Domador de Sonhos


Revista digital Domador de Sonhos. Aqui

sábado, 2 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Seixo Review 10



Revista de literatura. Aceder AQUI

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cannes

A minha passagem por Cannes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica - 2010 (Espanha)





Aída Monteón

Originaria de Guadalajara, México, Aída Monteón cursó la Licenciatura en Homeopatía, la que actualmente ejerce como parte de su proyecto de vida.

La música y las letras son el tejido-eco de una dicotomía inabarcable donde no existe un rostro sino una visión múltiple de las cosas que la hacen convertir los instantes de intensidad emotiva en su gran pasión: la poesía, la cual, parafraseando a Vallejo y en palabras de la propia Aída, lleva “empozada en el alma” como un deseo de transformar su ser, purificarlo a fuerza de palabras.

Ha participado en diversos encuentros literarios y publicado en revistas nacionales e internacionales. Textos suyos han sido incluidos en las antologías Poesía viva de Jalisco, Secretaría de Cultura de Jalisco, 2004, Amatoria, El cuento amoroso en Jalisco. Secretaría de Cultura de Jalisco. 2005. Ha hecho trabajo de dramaturgia con la obra Una muerte al vacío, 2008 y de traducción en la antología poética Anne Michaels (edición bilingüe) Universidad de Guadalajara, 2004.

Ha publicado Juegos Tridimensionales. Su primera publicación de cuentos. Obra becada por el Consejo Estatal para la Cultura y las Artes de Jalisco. Grafisma 2009.

De gotas y sortilegios. Antología de poesía erótica femenina. Editado como libro arte-objeto. Participación y dirección de Aída Monteón. Coedición La NaHual-Á y el Aguaje, 2009.

Coordinó el Primer Foro de Traducción Literaria organizado por la OMT (Organización Mexicana de Traductores) bajo el marco de la FIL 2004.

Participó en el XVI Encuentro Internacional de Editores Alternativos EDITA 2009 en Punta Umbría, Huelva, España

Becaria del Consejo Estatal para la Cultura y las Artes de Jalisco 2008-2009.

Galardonada con el III Premio de Poesía Palabra Ibérica, Punta Umbría, 2010.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Inês Ramos

De que forma a poesia entrou na tua vida?

A minha avó paterna era poetisa popular. Escrevia muito, todos os dias, sobretudo sonetos. Acho que foi com ela que eu fiquei, desde muito pequena, fascinada pela poesia. Quando tinha 14 anos lia muito Florbela Espanca. Até costumava desdobrar os sonetos da Florbela, cada verso de um soneto dela transformava em quatro meus. No 9º ano tive uma professora de português que me incentivou a ler e gostar de poesia, foi com ela que eu comecei a ler Camões com atenção, mas sobretudo, a gostar de ler Camões. A partir daí comecei a ler outros poetas. Manuel da Fonseca (que conheci quando tinha 11 anos) António Gedeão... Com 15 anos fui para a António Arroio e tive outra professora de português fantástica, Leonoreta Leitão. Nessa altura lia os poetas de intervenção como o Ary dos Santos...
Sempre li mais livros de poesia do que de prosa. Tenho muito mais livros de poesia que de prosa, talvez 3 vezes mais. E é sempre os livros de poesia que eu busco nas livrarias ou nos alfarrabistas. E um livro de poesia é para mim o melhor presente que me podem oferecer.

Tens o blogue Porosidade Etérea onde fazes a divulgação de eventos ligados à poesia em geral. Quais são os teus critérios?

Abri o porosidade etérea, porque, como consumidora de poesia e interessada em tudo o que lhe diga respeito, sentia que existia uma lacuna. Não encontrava um espaço onde pudesse encontrar informação sobre lançamentos, recitais, novidades editoriais, mas só sobre poesia. Como já fazia uma agenda cultural literária há alguns anos para o site truca do locutor Luís Gaspar e já possuía uma boa base de dados de biografias de poetas e recolha de poemas que fui fazendo para esse site, e como já recebia muita informação por parte das editoras, resolvi abrir o porosidade etérea com o objectivo de, em primeiro lugar divulgar os poetas, os livros que iam editando, os lançamentos, etc., e depois, aproveitando para dar a conhecer algumas coisas menos conhecidas do grande público. Como o Luís Gaspar grava poemas em áudio lidos por ele, achei que era também interessante poder ouvir-se os poemas em voz alta. Isso fez com que o blogue começasse a ser visitado e recomendado por algumas escolas e bibliotecas. A particularidade do meu blogue é que é apenas dedicado à poesia e — outra coisa não muito usual — o blogue não serve para divulgar a poesia da autora do blogue, mas a poesia dos outros. O critério é apenas um: divulgar a poesia e os poetas. Mas numa lógica de divulgação do que vai aparecendo e do que vai acontecendo. Normalmente não publico os poemas que as pessoas me enviam para publicação no blogue, para isso elas deverão ter os seus próprios blogues.
Por outro lado, o porosidade etérea tem uma vertente pedagógica, pois fui abrindo portas, devagarinho, para as pessoas começarem a estar mais abertas a outras formas de poesia. Comecei a fazer passatempos para as pessoas participarem (e só nesses espaço publico poemas que me enviam) e já fiz passatempos tanto de quadras populares, como de haiku ou de poesia visual. O interessante é que as pessoas participam muito e experimentam novas formas de fazer poesia. Esses passatempos começaram a ter sucesso, tanto que agora são os próprios editores que me enviam livros para oferecer aos participantes nesses passatempos. Sempre fiz transparecer no meu blogue que a poesia é só uma. Das quadras do Aleixo aos sonetos de Shakespeare. E tanto falo de um livro de um jovem poeta que acabou de editar o seu primeiro livro, como de poesia do barroco alemão do século XVII ou do poeta chinês Han-Shan do século VII. Acho que dirijo o meu blogue como um normal leitor interessado em poesia. Investigando, procurando, deliciando-me com o que vou encontrando e... partilhando.

A imparcialidade com que atendes a todo o tipo de solicitações relacionadas com a divulgação é uma vantagem para quem quer prestar um bom serviço à poesia e aos autores?

Penso que sim. Cabe ao público decidir o que quer ler. Desde que lhe demos a informação do que existe. A informação tem de ser isenta e eu faço um trabalho equiparado ao jornalístico. O meu blogue não é de crítica literária. “Cada macaco no seu galho”, como se costuma dizer...

A tua principal ocupação é o design. Que trabalhos tens feito nessa área e de que forma eles se aproximam dos livros?

Como designer gráfica faço também capas e paginações de livros. Alguns de poesia, sim. Os de poesia dão-me um especial prazer, claro...

Também tens sido convidada para ler e apresentar livros de poesia. Fala-me dessa experiência.

As pessoas convidam-me e eu não consigo recusar. Sobretudo quando são livros de amigos. Mas não gosto muito de apresentar livros. Não me sinto muito à vontade. Agora ler poesia em público, sim. Adoro ler poesia. Sempre que me convidam, vou. Ler poesia em público é uma partilha fantástica. É quase teatro, tem de se colocar bem a voz, ler todas a palavras bem lidas para que sejam todas entendidas, mas também ler como se fosse o próprio poeta a ler o seu poema. Ler bem poesia em voz alta é como contar bem uma história. E quando leio poesia em público, sinto-me na pele do poeta que escreveu aqueles poemas. Não sei se o faço muito bem, mas gosto muito de o fazer.

Sei que também escreves poesia. Tens divulgado os teus poemas? Já pensaste em editar um livro?

É natural que qualquer pessoa que leia muita poesia e que goste muito de poesia, também escreva poesia... Simplesmente optei por não divulgar o que escrevo. O meu papel, na poesia, até agora, tem sido divulgar os outros, não a mim. Até porque tenho muita insegurança quanto à qualidade da minha poesia. Ainda não é suficientemente madura. Talvez um dia...

Crês que existe um excesso editorial que se traduz numa asfixia que atinge sobretudo os poetas e as suas obras quando têm de dividir o mesmo espaço (livrarias) reservado à literatura em Geral?

Sim. Por vezes vejo-me numa livraria de um lado para o outro tentando encontrar a secção de poesia. Quando me dizem onde está, constato com pesar que se reduz a meia prateleira, por vezes ao nível do chão, como 20 ou 30 livros. E quase todos da mesma editora. E alguns, já muito antigos, pouca novidade. Dantes ainda refilava com os livreiros a ver se conseguia mudar alguma coisa, ou seja, se eu perguntasse por este e por aquele poeta, iria chamar a atenção para a falta desses livros e eles iriam encomendar, mas já desisti. Nunca se vê um livro de poesia em destaque. Ou pelo menos, é raro. Para se encontrar bons livros de poesia, o melhor é irmos a livrarias especializadas, como a Poesia Incompleta ou a Ler Devagar, em Lisboa, assim como outras boas livrarias especializadas que existem pelo país. Por exemplo, aqui em Faro, temos a Pátio de Letras, onde podemos encontrar livros que não existem nas livrarias ditas “normais” ou de grandes cadeias. Os livros que passam à margem das grandes distribuidoras, como os de editores independentes, não estão na maioria das livrarias do país.

Foste a grande responsável pela edição duma obra de poesia “Os dias do Amor”, da editora Ministério dos Livros. Imagino que tenham sido dias de verdadeiro entusiasmo e paixão pela poesia. Como surgiu a ideia de coordenares, sozinha, um trabalho de enorme dimensão? Deparaste-te com alguns obstáculos?

A história dessa antologia dava para escrever um livro... Mas vou tentar ser sucinta.
Uma amiga minha (Catarina Ferreira) tinha acabado de abrir uma editora e pediu-me para organizar uma antologia de poesia. Foi em Junho de 2007. Queria apostar na não-ficção e fazer uma experiência com Poesia. Eu aceitei logo. Propôs-me no início 365 poemas (um para cada dia do ano) e com a temática do Amor.
Houve outra restrição: uma vez que se tratava de uma editora pequena e recente, com pouco fundo de maneio, teria de usar poemas de autores cujos direitos já estivessem em domínio público. Quando “meti mãos à obra” decidi que não iria repetir poemas do mesmo poeta, mas fazer a antologia com 365 poetas diferentes, para poder ter uma abordagem mais diversificada. Isto complicou um pouco mais, pois teria de arranjar mais poetas e, além disso, todos em domínio público. Portanto, primeiro filtro: impossibilidade de pagar direitos; segundo filtro: só poemas de Amor. Fiz este trabalho durante 1 ano e meio. Tive ajudas preciosas: do poeta Amadeu Baptista, que passou palavra aos poetas seus amigos e conhecidos que começaram a enviar-me poemas. E ele próprio também traduziu alguns poemas para este livro. Tive também ajuda e aconselhamento de outros poetas como o E. M. de Melo e Castro. Também do poeta Casimiro de Brito, por exemplo, que me deu imensos poemas japoneses traduzidos por ele, etc. De uma maneira geral, contactei vários poetas meus amigos ou meus conhecidos que entretanto passaram palavra a outros poetas e a coisa transformou-se numa espécie de corrente-de-poemas-de-amor-para-enviar-para-a-inês. Este livro foi atípico porque não foi um produto encarado pelas pessoas como comercial. Foi antes um livro colectivo feito com partilha e generosidade, pois todos sabiam que eu estava a fazer o trabalho gratuitamente. E por isso também todos colaboraram gratuitamente. O livro esgotou nos armazéns da distribuidora logo no dia em que saiu para o público, neste momento vai em terceira edição. E ainda não fez um ano que saiu. Mais do que uma antologia de poemas de Amor, o livro tornou-se numa antologia feita com Amor, por mim e por todos quantos ajudaram a fazê-la nascer, com os seus poemas, com as suas traduções, com os seus conselhos, com a foto da capa que também foi oferecida por um poeta, etc…. Foi muito entusiasmante fazer este livro.

Que projectos se seguem? Quais são os teus principais objectivos em relação à poesia?

Há alguns projectos e alguns convites em aberto. Mas o que quero mesmo é continuar a visitar livrarias, comprar livros de poesia, trazê-los para casa e lê-los. Estar com os poetas. Fisicamente ou apenas lendo-os. Isso basta-me para ser feliz

Entrevista publicada no suplemento S do jornal Postal do Algarve

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Revista Nova Águia em Faro




Biblioteca António Ramos Rosa

Dia 15 – 18h

Apresentação: Renato Epifânio

Nº4 “Pascoaes, Portugal e a Europa”

Org. AAPAAA/Sulscrito/CMF

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DE LA SAUDADE A LA MAGUA.



Antología de relatos luso-canaria

A. M. Pires Cabral, António Manuel Venda, Maria do Rosário Pedreira, Fernando Esteves Pinto, Filomena Marona Beja, Gonçalo M. Tavares, José Carlos Barros, Lída Jorge, Miguel Real, Maria Antonieta Preto, Paulo Bandeira Faria, Paulo Kellerman, Rui Costa, José Rivero Vivas, Eduvigis Hernández Cabrera, Anelio Rodríguez Concepción, José Manuel Hernández, Gabriel Cruz, Víctor Ramírez, Roberto Cabrera, Quintín Alonso Méndez, Javier Hernández Velázquez, José Manuel Brito, Eduardo Delgado Montelongo, Alicia Llarena, Agustín Díaz Pacheco.

Coordenação: Agustín Díaz Pacheco e Fernando Esteves Pinto

Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho